sábado, 10 de janeiro de 2015

Mommy,2014
Xavier Dolan, Canadá

1.-Na última cena do filme , o muito jovem Steven , exactamente 15 anos, liberta-se do colete de forças que lhe «vestiram» no manicómio e corre muito , foge , com uma energia avassaladora, para uma porta , a verdadeira saída para a verdadeira liberdade, como um pássaro  a quem foi prometido o céu....

Certamente que, neste momento, o próprio Rosseau , tremeu sob a terra que o sepultou, por ter encontrado a sua alma gémea, na galeria dos  vivos, a de Steven.

Ouvimos mesmo um grito « Vive la France!» ( Não é verdade! Estou a fantansiar!) .

Ironias à parte, sabemos que este último filme de Xavier Dolan, de 25 anos, em França, teve mais de 1 milhão de espectadores.É a liberdade que é celebrada neste filme, tema bem caro à cultura francesa.


2.-Steven é uma criança e na sua forma de existir, frenética-sofre de hiperactividade- para ele, todas as coisas são  lentas e densas,

desde o amor à musica, que ouve num volume «pouco civilizado»

 o amor pela mãe, para quem rouba uma pequena jóia , de quem está dependente financeira  e afectivamente,

 pela vizinha, professora, com quem estabelece uma excelente relação de amizade, camaradagem e  aprendizagem

3.-Por onde «parte» este mundo quase equilibrado de Steven ?

De uma forma  surpreendente  e dramaticamente  traiçoeira  é a mãe a  vilã que recorrendo a um esquema  simulado , manda internar o miúdo , recorrendo aos serviços   do hospital/reformatório, cujos seguranças o apanham desprevenido     perseguem e "arrumam" com uma taser .

Porquê, em nome de quê? O filme não diz. E é, psicanalíticamente falando,  sobre   esta  falta de resposta do filme   que, provavelmente, se ergue o abismo, na  relação real  do próprio Xavier Dolan com a sua mãe .

Só no fim do filme nos libertamos desta cena de terror quando Steven  galopa a fuga para a liberdade. 

A mãe é  a instituição familiar -o pai tinha morrido anos atrás - e que  como instituição  e até como pessoa frágil ,  passa ao ataque  ao miúdo, priva-o de tudo, do mundo, da liberdade,  em nome do amor maternal  ! 

Pior era impossível !




















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