quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Manchester by the sea

Realização de Kenneth Lonergan, EUA 2016
Filmado em Massachusetts-by-the-sea
Nomeado para 6 óscares







O filme:

Como "Margaret" 2011, este é um filme sobre  a culpa, tema central de Lonergan.

Que imensa tragédia se abateu sobre Lee Chandler, personagem central, desempenhado por Casey Affleck.

A partir daí, dessa tragédia, desse evento funesto, horrendo, a morte dos filhos, de que ele é culpado, não sem fundamento,isto é importante, ele é culpado, 

 Lee vagueia na neve, para lá, para cá, entre as cercas das casas, casas que ele recusa, no íntimo da sua depressão, da sua tristeza, do silêncio

A culpa que Lee sente, culpa que tem, é tão funda, Lee é um homem jovem, elegante, um órfão dos filhos, um passante  nos caminhos de neve, um contraste sem fim, um caminho sem fim !!!

Como sempre, será o afeto e o perdão dos outros, de Randi, uma mãe também órfã dos  filhos, que o vai salvar,

Lee vai despontar, como uma doce ervinha,

 Há sempre uma primavera em caminhos de neve

 E a partir daí,

Lee vai voar nas asas da amizade de Patrick, o sobrinho, o órfão real do irmão de Lee, Joe.

O filme começa com a morte congelada de Joe e é celebrando um Joe morto, um Joe cadáver, que todos se reencontram, à volta dele e da música sacra

Sem dúvida, que a morte é um lugar  ameno neste enredo.

Já as casas incendeiam-se de desafectos, de falsificações, e o fogo continua a ser uma simbologia da purificação,

 Purificação de um caminho para outra vida, sem dúvida.

Muito cruel: Lee é o autor da tragédia, não uma vítima, mas  vai acabar por sobreviver, como uma planta, no meio da neve.

Uma força da Natureza.


O filme está nomeado para os Óscares, Casey Affleck para o melhor ator dramático 

Eu, para o espetador mais paciente!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

yes we can


As estrelas caídas não são necessariamente  estrelas  decaídas ou decadentes

Yes we can”, trocado por miúdos:

“Eu posso, porque estou neste púlpito, como se vê” 

ou seja

 “Subi, estou neste  grande palco  e tu podes, que me ouves daí, do chão, tu podes subir a este palco,

 Confia”!

“Repara, eu sou negro, descendente dos escravos de ontem e de  todos os  oprimidos, mais escravo que tu, que és branco,  mais negro que tu que és branco, confia, que eu posso  libertar-te  , seremos livres os dois, nós  podemos , seremos proprietários das casas, dos engenhos…"

"Eu liberto-te, Eu torno -te proprietário e Eu serei a tua Liberdade, vota em mim”

Isto foi a metáfora encantatória de Obama que se transformou em voto político ,  um acordo, um contrato que tinha a natureza das nuvens, do nevoeiro, que nunca se iria transformar em  coisas … “ eu posso comprar… eu posso ter um salário, ter  qualquer coisa topo de gama, ou apenas,    …”

A  Realidade, uma personagem incómoda, mesmo hedionda, nauseabunda, varreu todas as casas americanas, todos os solos, todas as cabeças e aí temos a Maravilha “ o Presidente Eleito” que destronou o outro o  "O Presidente até Janeiro”, o que afinal não podia dar-me, nem  o  trono , nem o topo de gama, nem  o salário, ou a ilusão…

Por isso, Obama transformou-se  num trunfo do passado foi uma arma inerte na campanha de Hillary  “ se ele ganhou , eu vou  ganhar  ” não é verdade,

 porque as pessoas  na confiança, no voto,  no  sonho, na esperança, ganham a consistência  das nuvens, o que é uma forma de inconsistência.

Mas vai funcionar na campanha da Merkel , agora Obama representa” Votem  em mim, Eu era a Liberdade ,  ainda sou , podemos  ganhar juntos, YES WE CAN


Saudação nazista: ‘Heil Trump’



A cultura  de massas combina bem com o tempo do entretenimento facultado pela tecnologia do audio-visual.

Os assalaridos  do século xix e xx , os da revolução industrial, são agora uma maioria esmagadora , como todas as maiorias, aliás, mas  uma maioria sociológica estável à procura  de voz , de derrubar barreiras, de identidade, 

 Que encontra  nos media, nos intermediários tecnológicos, em vigor, a televisão e as redes sociais, os seus representantes.

Os amigos e a família são  cada vez mais os " media" , os intermediários de opinião do passado, do tempo moribundo... 

Que só não morre mesmo, graças à História os reviver, esse tempo  revisitado com tanto amor e amargura pelos historiadores , filósofos e seus congéners...

Onde  residem , agora , os templos da Cultura dominante?

Já não nos nobres tambem eles velhos  e  moribundos, nem no super-homem, 

Mas nos  novos  herois do espaço publico, os candidatos a presidente ( Fillon,  M. Le Pen, etc) são os  novos actores da nova comédia.

Os  destornados, os sem trono, Hilary, Sarcosy, Dilma,  Lula,  e outros  expulsos da Casa dos Segredos, existem como fantasmas, passeiam no  espectaculo, como personagens de fundo necessárias , ainda.

Se uns são a luz , outros são a treva e precisam uns dos outros, como a virtude precisa do vício !

A Hilary são atribuidos os tiques dos colonos, dos poderosos em queda, da nobreza falida, a alma de uma cultura moribunda que pouco mais expressa que queixumes, estrelas cadentes

Trump, um industrial da constução, um patrão rico que todos os assalaridos , sem salário, gostariam de ser : processo de identificação em curso.

Penteia-se com brilhantina dourada,quem sabe com ouro puro, exibe uma fêmea dourada,

 Se eu não posso ser Ele, posso votar  nele, ah!ah! eu  quero ser Ele ou Ela, tanto faz, quero ser rico, quero ter voz nos programas televisivos, deixar comentários na  box, quero vestir bem, mesmo que não diga nada de  jeito, não nasci para o palavreado, ter um i-phone 7, um carro que apite, um micro ondas novo .

Eu quero e desta vez eu posso!

E até  sai a saudação nazi, se for preciso, como foi no video, para que  Ele  goste de mim, como eu gosto Dele, meu Herói, meu querido Trump, meu amigo....



sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Julieta, Almodovar


Qual o modelo cultural que subjaz ao filme ?

A mulher, a culpa da mulher no mundo, como o Génesis  previu!! 

Começa com Julieta no comboio , em frente um homem mais velho , olha-a , olha  a sua beleza  e tenta falar com ela, conversa  de ocasião  ... de um triste solitário ..

Mas Julieta esquiva-se, prefere o silêncio muda de lugar ,de compartimento .

O comboio  de seguida  após a mudança  de lugar estanca- se ,

 ruidoso, na noite ...

Aquele homem ,a quem  ela recusara um minuto de atenção cometera suicídio, atirando-se à linha,  é retirado , agora  em escombros, na maca .

Ela  em pânico é assaltada pela frustração , pela solidão e joga- se sôfrega nos braços de alguém tão só como ela ( outro homem , claro)

Este modelo, ancorado na cultura religiosa peninsular, a Eva  versus  Adão, vai repetir-se, a seguir: 

 Julieta irá viver com este homem, da união  nascerá uma filha ,concebida nessa noite agoirada, no comboio, a seguir...ao sangue... mau presságio, concebida,com paixão carnal intensa 

 Irá repetir-se a segunda tragédia, muitos anos  após  .

 De novo,

Julieta  irá recusar falar sobre um, outro encontro  amoroso com

 o seu  companheiro (encontro dele, que as mulheres não traem, apenas são tristes!)

então, por isso

o homem desesperado  enfrenta o mar sombrio

 num pequeno barco,só, frustrado, infeliz, barco que naufraga : segunda morte masculina  , agora por afogamento, como será a terceira morte,também masculina , como veremos .

Julieta , a mulher é culpada da morte e tragédia dos homens .

  a filha herda a culpa, como todas as mulheres, 

 Novo ciclo de sofrimento:

 mais uma vez, o Destino vai matar o filho, no masculino, da filha  de Julieta  ,

  também ele morrerá afogado como o pai .
 A mulher essa   costela  humana , chama-se Julieta-a-culpada  e filha-de- Julieta-a-culpada e a que  se suceder herdará, até ao fim dos tempos !

É uma figura mítica,  uma Eva  latente, a inspiradora da morte, a responsável pela expulsão do Paraíso .

Almodovar não esbanjou talento desta vez   e a cultura  católica  esteve em alta nesta recriação





quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Bram Stoker , 
Babel
.........................................................
" Olhei  à minha volta , mas não consegui avistar nenhum dos meus perseguidores"
.....
Uma tensão permanente percorre as  paginas do conto de Bram Stoker

Névoa , escuridão , agouros,superstição, medo .

Stoker convida-nos a olhar à volta.... 


  

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Mia Couto

Mia Couto tem uma vastíssima obra e seria a minha escolha, o "meu" Nobel .

A melhor obra  do autor , para mim é  
" um rio chamado tempo...." 

um enredo fluido como a água que "corre " pelo romance  adentro 

amolecendo a crosta daquela terra africana  e de todos os lugares, 

terra povoada  por personagens transparentes que escondem outras personagens e por aí fora , até lá estarmos nós ,  lá ao fundo ... 

assustador , talvez!

A data da publicação é 2004 , penso eu, muitas paginas foram escritas depois, mas esta obra para mim foi  e  é especial
 

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Farage-Trump

Farage apoia Trump?



Farage apoia, na verdade, os novos mercados que a América representa para o  Brexit.

"Be América, Great-Britain again" é o ponto de vista do colonizador / Farrage  que Trump agarrou, ou agarraram-se ... um ao outro ...

Trump , por sua vez, representa a cultura popular, uma América dos excluídos, desempregados ,  que não tem DIREITOS , sem salário, sem apoio na saúde, os escravos de ontem e de hoje,

 Mas que possuem um televisor o que faz a diferença  em relação aos avós

 com acesso ao espaço público, 

Ao espetáculo Trump, um Deles, o Melhor

Ser  escravo é, para além de ser despojado, transportar uma sub-cultura, que se herdou e  que  vai legada aos  filhos e  assim por  séculos e séculos.

Nesta perspectiva, Trump , culturalmente, é  "o colonizado- escravo" o NÃO -poderoso-  que  quer- mudar- a América,  amigo do poderoso Colonizador / Farage, logo o " colonizado- colonizador"

 Como escravo cultural é um sexista, passivo e ativo e demonstra estas qualidades no vídeo; é um artista!

... Trump é um "Sabido" (no vídeo de sexta- feira exibe uma linguagem dos "sabidos")  ê um "Espertalhão" (fala como o povo, vejam  lá , o que ele faz  aos Impostos !!!)

 Ele é  um "Popular" o popular  entre os populares …

Também é um "Sincero" : o povo capta ISSO  

Não cai no debate de ideias que não tem.

  É um deles, da sua  base de apoio, que o ama

 Trump tem bons trunfos neste jogo eleitoral, nos debates,  em particular,

Hilary bem que podia popularizar-se, ser mais directa, ser terra a terra ?, baixar o nível sem se rebaixar, sem vestir uma mini-saia e  colocar uma cabeleira de rastas, enfim .... mas ser mais emocional ( por exemplo, enfrentar, secamente , com ironia , em palco, o deplorável espetáculo das “violadas” por Bill, horror)

O difícil para Hilary é encontrar o  ponto de equilíbrio entre os dominantes, os racionais, que  ELA REPRESENTA, e os dominados, os emocionados, representados por Trump

Esperemos que encontre







quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Clarice Lispector, A vida íntima de Laura

A vida íntima de Laura

Um conto infantil de Clarice Lispector, por Relógio D´Água, 2012

Não acredito no género “ infantil”.

Porquê?

 Porque quando os momentos infantis saem de nós ficamos uns adultos dignos.

 Dizia Fernando Sabino que “nasceu homem” mas morrerá, morreu,” menino”.

Seremos, pois, meninos todos os dias,  depois de perdermos os pais, ou  outro afeto fundamental e primordial.

Antes disso, somos eternos, depois meninos.

O conto de Clarice:

Laura é uma galinha poedeira, muito estimada no galinheiro pela família, galo e pinto- filho, pelos donos e vizinhos, respeitada como ela foi, depois de grande sofrimento na sua vida pessoal.

Laura é Clarice,a autora, afinal.

Clarice, fala dela própria, do seu  próprio tempo,  de ovos de ouro, neste conto, dedicado ao filho(s)

Ela escolhe frequentemente  e metafóricamente a galinha/ovo, quem nasceu primeiro, para figurar a trama do Tempo

 (sendo frequentemente “gozada” pelo “ridículo da sua escolha” pelos sublimes editores/críticos, enfim)

Diz um editor, numa entrevista,  a propósito desta escolha que “galinha só no churrasco” e sorri de forma brejeira, como se tivesse garantida a cumplicidade do mundo!!!

Mas o  foco, agora, é que Clarice  está, no conto e na sua obra em geral, preocupada a pensar oTempo, com humildade, a propósito de banalidades, como a Filosofia, faz  com pompa, por vezes ( muitas, demais!)

A filosofia está dentro de Clarice é a sua joia imorredoura  sai dos seus textos de forma inesperada , talvez até para ela.

No caso de Clarice a Filosofia não é uma retórica organizada,  não tem um plano, nasce como os soluços de um choro, por aqui e por ali.

Quem veio primeiro, a galinha ou o  ovo ? E temos o direito de matar Laura, uma galinha feliz?

 Esta  será, talvez, a versão popular do tema perante  o qual as crianças ficam incrédulas e os adultos também.

Clarice  escreve Filosofia em estado puro, melhor cai na Filosofia, como se ela fosse uma armadilha nos seus textos, na sua vida e é encantadora encantatória, nestas quedas.

 Clarice escolhe a morte, a morte  de Laura, provocada  pelo homem,   Laura é  a galinha, como momento para expressar a sua   grande compaixão pelos animais e para falar dela, da morte outra senhora inscrita no Tempo.

Clarice  está, no conto,  na pele de uma predadora  civilizada que adora galinha  “ ao molho pardo” civilizada, portanto, que engole esses pássaros, cozinhados civilizadamente , com molho pardo.

E também  fala da vida depois da morte, tema encarnado num pequeno marciano protector, transcendência servida às crianças desta forma maternal.

Clarice não liberta, não nos liberta, como a música e talvez a poesia o faça, torna-nos ainda mais prisioneiros da nossa própria existência, da nossa trama, da nossa tragédia.

Será mesmo ela “pensar isso”e escrevê-lo que nos libertará , estou a falar da sua obra e não deste conto, em particular.

Afinal, cada um de nós é uma galinha, ao molho pardo

Obrigada  Clarice, por nos lembrar disso todos os dias.






segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Max Raabe



Max Raabe, 1962



género: cabaret, comédia, old style

Curiosamente, o que  salta , ou ressalta, das actuações deste excelente performer  é  a sua figura, alta estilizada, um ponto de exclamação, em palco!

Canta e bem , muito bem, inesperadamente, mas representa em cada canção uma pequena peça: se a letra é por vezes piegas, ao limite, agradavelmente, a sua postura é de um soldado, não se mexe, abdicou da mímica que serve o "romantismo em palco": olhos em alvo, olhar perdido, braços em dança... pezinhos a acompanhar, etc, por aí..,

É deste contraste , entre o que é e  não é, que nasce uma actuação muito digna, muito irónica, muito doce, por vezes infantil, perfeita...






Max Raabe



Max Raabe, 1962



género: cabaret, comédia, old style

Curiosamente, o que  salta , ou ressalta, das actuações deste excelente performer  é  a sua figura, alta estilizada, um ponto de exclamação em palco!

Canta e bem , muito bem, inesperadamente, mas representa em cada canção uma pequena peça: se a letra é por vezes piegas, ao limite, agradavelmente, a sua postura é de um soldado, não se mexe, abdicou da mímica que serve o "romantismo em palco": olhos em alvo, olhar perdido, braços em dança... pezinhos a acompanhar, etc, por aí..,

É deste contraste , entre o que é e  não é, que nasce uma actuação muito digna, muito irónica, muito doce, por vezes infantil, perfeita...






terça-feira, 13 de setembro de 2016

De bem a melhor

Querem que ela esteja doente, tem de ser, ou cega, surda, muda,coxa,doente, enfim!
O homem,a sua luta : " matemos" "mate-se," o caminho livre , agora"

Armadilhas , armadilhas !!!

Ela vai de bem a melhor, desmaio passa!


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Academia da musas de José Guerin

As palavras  muitas vezes servem para criar um cortina de fumo , entre quem fala , no caso o professor  ( que será o próprio Guerin ) e as alunas que ele seduz

Sem emoção, sem verdadeira poesia 

 Não nos sentimos seduzidos 

Não tudo 

Podemos  talvez, pressentir uma comédia  pois a mulher do dito professor 
( des) constrói  a narrativa  "amorosa" para concluir que ele quer , vulgo " engatar as miúdas"

Apenas isso 

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Lanthimos, A Lagosta

A Lagosta

2015 ‧ realizado e escrito por Yorgos Lanthimos e Efthymis Filippou e protagonizado por Colin Farrell e Rachel Weisz. 
Data de lançamento16 de outubro de 2015 (Reino Unido)






«O amor é cego» é mesmo  e o filme comprova-o

«o amor é para toda a vida » 

caso não seja,

 o homem morre ao fim de alguns dias, morre por falta de amor, portanto,

 mas  

 como não sabemos  o que espera o homem para além da morte,

 Lanthimos escolhe   a «reencarnação» ,

 pois  cada homem , cada alma  reencarna não num corpo humano,

não  se trata de uma alma imaterial que se acolherá no reino de Deus, se tiver tido uma vida regrada ,com regras,

 mas uma alma que será acolhida num corpo animal, o que é um castigo Lanthimiano  para os humanos que  tão mal tratam a classe animal...

e  tão mal se tratam entre si, por execução dos seus códigos  sobre  o Amor , Ser - Etéreo que impregna o mundo e o desmundo 

 O homem e suas convenções sociais sobre o amor são denunciados na sua brutalidade pela brutalidade da imagem de Lanthimos e pelo seu discurso lacónico dito como se os actores estivessem sempre a ler um manual de instruções

Obrigada Lanthimos tu  és verdadeiramente único e corres o risco de ser excomungado.com este filme.

Homem , animal e natureza  são o triângulo analisado por Lanthimos abordando  o tema pelo Amor que os desune.

o animal e a natureza são absolvidos por Lanthimos 

A netureza é bela  e sossegada e está lá ao fundo para nos acalmar, como a música também .












segunda-feira, 9 de maio de 2016

Van Gogh Starry Night Interactive Animation (music by Gig McKell)



Eu toco o trabalho de Vincent à superfície e ele modifica-se,  os turbilhões ganham vida  no  movimento real da paisagem.
Não posso tocar o Sujeito , então toco o Objecto  e existimos os três, eu e eles, ou pelo menos as delicadas pontas dos dedos saem do  ( daquele ) observador e  passam a pertencer ao observado e assim sucessiva e infinitamente...Sujeitos e Objectos recriam-se...

Chopin - Nocturne op.9 No.2



«Noite Estrelada» Vincent V G

Vincent



Ver o que Vincent viu, demoradamente, é tudo o que nos permite este pequeno filme e até ver o próprio , no fim, como se ele estivesse a olhar para nós.
Ele pestaneja a provar que está vivo, para quem dúvidas tivesse!!!


sexta-feira, 22 de abril de 2016

A Lição de Kristina Grozeva e Petar Valchanov2015



A Lição de Kristina Grozeva e Petar Valchanov2015 - Bulgária, Grécia

- Data de estreia: 07-04-2016

Com: Margita Gosheva, Ivan Burnev, Ivanka Bratoeva, Ivan Savov, Deya Todorova, Stefan Denolyubov






La Fontaine (1621-83) será, por certo, um dos animadores ideológicos deste argumento em “ A lição” , nome que só por si, nos transporta à pergunta :

” E a moral da história, qual é ?”

A arte do filme é responder na última cena

Sente-se, por isso, um trepidar policial até lá, até à ultima estação desta longa viagem que é o filme.

As personagens

As personagens da história são instrumentais deste sentido moral final que constitui a meta-história, ou seja, que constitui a lição,propriamente dita.


Elas, as personagens, não transmitem qualquer emoção , estão ao serviço da moral da história, não da história.

Por isso, La Fontaine escolhia animais para animar a suas fábulas porque eles pensam menos que os seres humanos , embora pensem , por certo, melhor.

Aqui, a arte dos artistas é serem sempre autómatos, perante a fatalidade de um destino que se quer pedagógico.

Reparem que no cartaz publicitário cortaram a cabeça da protagonista, pois ela não pensa por si, é pensada pelo destino.

Ela, é a raposa de La Fontaine até ao final , mas na última cena ganha consciência moral e revê-se : pára e dispensa a humilhação que premeditara ao aluno, a presa, a cegonha

Margita é um(a) predadora até sentir o amargo sabor de ser humilhada.

Margita, durante o filme, corre em sentido literal , corre , corre, de um lado para o outro, ouvindo-se o matraquear dos tacões dos seus sapatos, implacáveis, no chão, para cá , para lá, a tentar vencer o seu destino , o que não consegue , por motivos da lógica da acção:

os imperativos de uma fábula são aprisionar as personagens, aprisionar a história, ao serviço da fábula

Por isso, Margita é representada sem cabeça ou com total falta de expressão, vejam esta imagem:




A nossa única liberdade é sermos, também nós, aprisionados

Outras ferramentas:

Não há musica a acompanhar a geometria da ação , não se fosse com ela perturbar a apreensão do sentido linear da narrativa histórica, inundada de acontecimentos, suas datas e lugares

Apenas, os barulhos do dia, as crianças, os motores dos carros , o ladrar dos cães, ao fundo.

Estamos suspensos da moral da história é esse o nosso alerta, o credor da nossa atenção, ao longo do filme.

Qual é a lição?

“ Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti”

ou

" Não humilhes o outro, para não seres humilhado" diz o destino, ou os deuses,ou mesmo Deus

Simples não é ?

A Raposa e a Cegonha

Lembram-se da fábula da raposa vaidosa, mazinha, etc. que convida a cegonha para tomar uma refeição com ela , em sua casa?

Neste acontecimento, a raposa oferece-lhe a refeição em pratos rasos, prevendo ser impossível à cegonha comer…dado o tamanho do seu bico...

No filme a raposa , ou seja, Margita, quer humilhar um aluno ... que persegue impiedosa, mas desiste de humilhar a sua " presa", pois, no final da acção que ela vai vivendo, após formular o seu propósito de raposa sabe, conhece ela própria, o sabor da humilhação ...trazida até si por outras raposas daquela floresta....

Básicamente , o filme , é isto:A lição de Kristina Grozeva e Petar Valchanov













segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Óscares

A hipocrisia social, HS,   uma entidade tão respeitável como outras!

O Estado e suas Instituições   são a forma suprema de HS !!!!

O reconhecimento social do valor da produção artística ,Óscares inclusos, tem uma dose de HS apreciável .
 
Este ano a Academia cuidou das minorias desprotegidas ,ou será que são  maiorias desprotegidas ( onde estás tu ? oh , Estado ?E as tuas instituições ?Perguntas  retóricas dão imenso prazer! )

E cuidou da  sétima arte ? Onde estás tu Academia ? 




quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O Renascido

Leo de Capri protagoniza uma perseguição a um elemento da expedição de caçadores, através do território gelado do Canadá.

Foi muito maltratado por um urso e esse outro caçador, o que viria a ser perseguido, enterrou-o vivo e aparentemente Leo renasceu para se vingar dele.

Penso que esta leitura está errada, profundamente errada !!!!

Glass, Leo, atravessa o território gelado    procurando o quartel , no meio do gelo e o seu assassino.

Que difíceis condições de sobrevivência criou Ignarritu !!!

Mas esta  perigosa travessia ocorreu  para que o destino colocasse a vida do criminoso , nas mãos de Deus, nas mãos de um grupo de índios que foram afinal os mediadores  naquela morte.

E aqui está a diferença entre o que poderia ser Vigança  e o que foi : Justiça  divina, diria Glass , um bravo soldado.

Glass tem a candura e inocência dos heróis dos livros de quadradinhos, do  Far West.

Não é assassino , tem regras de vida ( e morte) é um soldado da fundação da América 

Também não massacrou índios , é um deles, ama uma  Índia e o filho de ambos e revive esse profundo amor  ( a dor do amor essencial )toda a caminhada .

Glass cumpre códigos  : é um americano

Este americano fala- nos da fundação da pátria Americana e dos dignos padrões da fundação .

Por isso, vai directo ao coração do júri dos Óscares , só pode!!!!